Intercâmbio: Lyon

La Saône

Esses dias andei pensando nas minhas viagens e na vontade de ter escrito mais sobre elas. Tipo como fiz agora em NY: me programei pra andar sempre com um caderninho e me prometi escrever, geralmente à noite, tudo o que tinha feito no dia. Deu muito certo!

Dessa vez vou falar sobre Lyon, cidade onde morei por 6 meses. Na verdade, fui para lá estudar e essa foi uma escolha meio “impulsiva” – não refleti muito sobre como seria minha vida, se faria muito frio ou não, se eu tava pronta pra viver em francês o que eu queria estudar na faculdade, etc. E acho ótimo que tenha sido assim porque, no fim, meu feeling tava certo quanto à cidade!

Vieux Lyon

Lyon fica a duas horas de Paris (de TGV, ó o mapa aqui pra ter ideia), tem uma bela arquitetura, conta com uma área de patrimônio universal com construções que datam da Idade Média (Vieux Lyon), tem muitas universidades e écoles – ou seja, jovens por todos os lados -, vida noturna com bares, festas e jazz, e restaurantes de primeira. Só que não é abarrotada de turistas como Parrí e nem tããão cara – apesar de também ser um pouco!

Place de Bellecour, com a catedral Fourvière ao fundo.. faz frio no inverno!

Peniche sur le Rhône

O que eu mais amava lá? A liberdade de andar sem medo pelas ruas – apesar de esbarrar, quase sempre, com pedintes (a crise…) e alguns homens com comentários à la Brasil -, sentar na praça, no parque ou na beira do Rhône e ler meu livro em paz, deitar pra sentir o sol sem medo de arrancarem minha bolsa ou ficar horas conversando com os amigos fazendo um piquenique bem regado. A liberdade da segurança, enfim. Acho impossível fazer esse tipo de coisa aqui no Rio sem sentir nem um pouquinho de medo.

Les berges du Rhône

Parc de la Tête D’Or – tem até um zoológico dentro!

Vou te contar que não foi superfácil lidar com os franceses. Eles são muito mais educados do que eu pensava, na verdade nem lembro de casos de pessoas que foram rudes – os italianos são beeem piores -, mas eles não são abertos, sabe? Muito difícil ficar amiga de alguém, parece que eles não têm jogo de cintura pra lidar com as diferenças culturais – vide bem o caso dos muçulmanos por lá, né? Claro que existem exceções e pessoas apaixonadas pela nossa música, natureza, etc, mas, entre os jovens quase ninguém conhecia muito do Brasil. De qualquer forma, não vou me queixar sobre eles, existem sim exceções, eu que não tive tempo de conhecer muitas! hehehe… Mas me surpreendi foi com os alemães: fofos, simpáticos, bem mais abertos…

Fourvière ao fundo

Morar fora é uma experiência extremamente enriquecedora, a gente aprende muito, mesmo quando bate aquela preguiça e a gente fica sozinho em casa um dia inteirinho. Esse aprendizado vem ao lidar com as nossas emoções, nossos hábitos, nossos valores, nossas vontades. É um grande autoconhecimento. Morar na Europa, então, é melhor ainda, porque a gente pode viajar pra qualquer país do continente bem rapidinho e por um bom preço, conhecer lugares que já passaram por muita coisa e ver obras e construções das quais a gente só tinha lido nos livros – aliás, era isso que eu queria fazer lá, muito mais do que estudar sentada na cadeira (!).

Lyon também é famosa pelas paredes pintadas. A ilusão de ótica é gritante nessa que fica no bairro Croix Rousse

É claro que também é difícil…afinal, no começo não é nem um pouco tranquilo ficar sem o auxílio diário da família, encontrar os amigos só pela internet e andar pelas ruas sem ter plena capacidade de se comunicar. Chegar durante o inverno, então, torna tudo um pouco mais triste. Mas aí começa a primavera, você já não precisa usar tanta roupa de frio, as árvores ficam verdinhas e a cidade fica mais bonita e alegre… (não tem jeito, eu amo mesmo é o sol!).

“A vida não é um longo rio tranquilo…”, mas fica mais fácil na primavera!

De qualquer forma, sempre vai haver um perrengue, mas os ganhos são enormes e você vai ter uma experiência da qual vai se lembrar a vida inteira. E isso, definitivamente, não tem preço!