Dos cafés com Patti

Ano passado em um domingo em NY, saí pra tomar um café, tentar comprar um par de tênis… voltei pra casa com duas novas aquisições. Novinhos em folha, prontos pra me acompanharem nas viagens de metrô e nas tardes aquecidas:

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Sim, o sapato podia ficar pra depois, era hora de arrumar um bom livro pra ler e nada melhor do que conhecer Patti Smith. Comecei pelo Só Garotos e não deu vontade de terminar de ler… Esse livro é daqueles que fazem a gente se sentir totalmente dentro da história, e essa história é nada mais nada menos que NY na década de 60, explodindo com movimentos artísticos, poesia, fotografia, libertação sexual, drogas, enfim, autêntico #vidaloka. Mas não é um simples retrato histórico da cidade. A gente vive um pouco da infância/juventude de Patti, e muito de sua trajetória com Robert Mapplethorpe. A ligação deles é bonita de se ler, algo diferente do que ‘apenas’ um amor entre namorados…entre eles rolava uma mútua alimentação artística; a conexão ia muito além do eixo homem/mulher.

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“Both of us had given ourselves to others. We vacillated and lost everyone, but we had found one another again. We wanted, it seemed, what we already had, a lover and a friend to create with, side by side. To be loyal, yet be free.”

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Só Garotos é um mergulho na vida de verdadeiros artistas, aqueles que muitas vezes passam aperto financeiro, que não têm rotina ou às vezes trabalham só pra ter um sustento básico e poder comprar material pra criar. Motivações filosóficas e pessoais, a vontade de expressar algo que incomoda e corta lá dentro, a vontade de romper barreiras e transformar comportamentos. Uma arte em um tempo que permitia experimentações, que o prazer era se sentir criando, fazendo, influenciando vidas e personalidades.

É até curioso que em M Train Patti mal fala de Robert. Mas a gente se sente seguindo a vida com ela, depois da perda do melhor amigo, do marido e do irmão. Nessa leitura me senti como se tivesse conhecido Patti como uma senhora meio mal encarada num café, contando histórias pra quem lhe parecesse interessado em ouvi-la ruminando sobre a vida. São lembranças tocantes e excêntricas, sobre a viagem à Guiana Francesa, alguns passeios por cemitérios, e quase perder uma casa em um furacão… Confesso que preferi o entusiasmo de Só Garotos. Mas a escrita de Patti é tão bonita, pessoal e sensível, que cada página de M Train continua sendo um prazer.

“How did we get so damn old? I say to my joins, my iron-colored hair. Now I am older than my love, my departed friends. Perhaps I will live so long that the NY Public Library will be obliged to hand over the walking stick of Virgnia Woolf. I would cherish it for her, and the stones in her pocket. But I would also keep on living, refusing to surrender my pen.”

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