lições de tinta e spray

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O que grafiteiros renomados e escolas municipais têm em comum? Eles se juntaram pra ensinar o graffiti aos estudantes e, juntos, colorir os muros das instituições. Com curadoria do artista, Toz, baiano radicado no Rio de Janeiro, internacionalmente reconhecido e um dos fundadores do coletivo Flesh Beck Crew, o P.A.Z (Paredes Art Zone) é um projeto que vale conhecer!

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Idealizado pela franco-brasileira Elodie Salmeron, produtora cultural e diretora da Valeu Produções, o P.A.Z conta com a participação de três outros grandes nomes do graffiti além de Toz: Bruno Bogossian – o BR, Marcelo Jou – o Fins e Wark. Durante este mês vai rolar uma oficina de graffiti em quatro diferentes escolas municipais da cidade,pra incentivar a criatividade dos estudantes e levar às salas de aula mais sobre essa arte urbana.

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Bati um papo com o casal Toz e Elodie pra entender mais do projeto, vem saber:

Pra vocês, como a cultura do graffiti pode mudar a vida de uma criança que ainda está na escola?

Lolo: Muitos artistas graffiteiros, eram “estudantes problemáticos”, não gostavam de escola, não gostavam de estudar, começaram com pixação… E no final, se tornaram artistas reconhecidos que vivem da arte deles. Eles são um exemplo bem interessante pras crianças, mostrando que o importante é se esforçar, não desistir… se você se dedica a o que você gosta, você consegue e arrasa!

Toz: Acho que pode abrir novos caminhos, sim e fortalecer aqueles que já tem algum talento pro desenho. A ideia é colocar arte na vida deles. Isso faz bem pra qualquer um em qualquer idade.

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Como costuma ser a recepção das crianças quanto às aulas de grafite? 

Toz: É sempre muito calorosa. Nunca dei aulas em escolas particulares, mas nas escolas públicas e comunidades que passei sempre é uma festa. Todos querem tentar pintar e se expressar. Já passei por bons momentos. Os alunos são sempre intensos. Sei que as professoras sempre se impressionam com o desempenho dos alunos que em aulas normais são ruins e na aula de graffiti o empenho e interesse são enormes.

Toz, conta pra gente um pouco qual o sentimento que bate na hora de fazer um grafite em um muro da cidade?

Toz: Eu amo pintar na rua. Pra mim cada muro é especial. Sempre procuro os abandonados e esquecidos. Me sinto um soldado das cores na missão de colorir meus caminhos. Sempre uma emoção diferente, nunca vou me cansar de pintar na rua.

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Como enxergam o cenário do graffiti no Rio?

Lolo: O cenário no Rio é muito vivo, e bem misturado, entre letras, personagens e pixações. Muitas peças pintadas com sprays. Quem graffita um muro no Rio vai ganhar os parabéns dos pedestres ou até da policia, isso é a primeira coisa que reparei quando cheguei aqui. Este “apoio” ao graffiti permite se deparar com peças grandes e trabalhadas dentro da cidade: murais grandes, com muitos detalhes… Coisa que é rara de ver em Paris por exemplo, onde a repressão é tão forte.

Toz: Eu acho que o Rio está cada vez mais forte, tanto em evento como em artistas, hoje temos diferentes artistas e muita qualidade entre eles, do cara que só faz painel ao que só faz bombs nas ruas. O Rio cresceu e o graffiti aqui também. Tenho orgulho de participar e ver isso tudo acontecer, acho que hoje a cidade já faz parte da cena mundial do streetart.

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Quais os muros da cidade que são mais interessantes pra vocês e os eventos culturais de arte de rua em que vale marcar presença?

Lolo: Têm dois bairros históricos do graffiti no Rio: Jardim Botânico e a Zona Portuária. É só passear pelas ruas desses lugares que você vai ver muitos graffitis, uns bem velhos, outros novos. Fora disso, Santa Teresa é também um bairro bem grafitado. Não posso esquecer o painel de 2000 m2 na Praça Mauá. Para os eventos, recomendo os eventos do Flesh Beck Grill, que mistura tinta, burgers e musica, o melhor da cultura graffiti!

Toz: Eu atualmente tenho pintado perto da minha casa-ateliê, que fica em Santa Teresa. Mas para o lado do Catumbi. Lá existem muitos muros e pouca gente pintando, pelo menos por enquanto. Existem painéis clássicos como da Pedra do Sal (Zona Portuária) na sede da B2W e também o de Santa Teresa, na Rua Almirante Alexandrino, próximo ao Bar do Serginho (Curvelo). Tem também o murão do CAP, na Lagoa, e o do Jóquei também. Esses são os maiores e mais legais em minha opinião.

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fotos: reprodução

Ficou curioso pra ver o resultado desse projeto tão bonito? Fica ligado nos muros das escolas Benjamin Constant, no Santo Cristo, José Pedro Varela, na Pavuna, Paula Brito, na Rocinha e Pedro Ernesto, na Lagoa. Vai ter pintura, e alma, renovadas! 😉

 

publicado aqui.

Uma boa ideia

Achei lindo o trabalho que o coletivo espanhol BoaMistura fez na favela Brasilândia, em SP. Para dar mais poesia e vida a alguns becos do lugar, os artistas usaram tinta e palavras (escolhidas pelos moradores). Foi assim que surgiram inscrições nas paredes dizendo “orgulho”, “beleza”, “amor”, “doçura” e “firmeza”.

Imagens: reprodução

Adoro iniciativas simples para mostrar que a arte sempre pode ser aquele suspiro aliviante no meio da correria diária. ❤

A ação fez parte do projeto “Luz nas vielas“, parte da série “Crossroads: proyectos de arte urbano”. Vale ler a entrevista feita com um dos integrantes pela Folha.