a pasta de dente e o medo do simples

Outro dia, antes de dormir, vi um post da página da Bela Gil indicando a cúrcuma como um ingrediente que pode ser usado no lugar da pasta de dente pra fazer a escovação diária. Achei curioso e interessante. Pensei em um dia testar. Acontece que Bela se meteu numa polêmica digital com dentistas e outras pessoas que acharam irresponsabilidade dela dar essa dica… Bom, aqui vai meu relato pessoal sobre toda essa história.

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Há 6 meses venho usando pasta de dente sem fluor, uma mudança trazida pelo meu namorado, que mora nos EUA e quando foi me visitar no Brasil fez questão de levar um mega tubo da pasta Tom’s of Maine (que em seu site, aliás, explica tudo que vai em sua composição), porque ele sabia que no Rio era difícil achar um produto assim. Eu nunca tinha ouvido falar que existia uma pasta de dente sem flúor, mas li um pouco sobre o porquê das pessoas evitarem esse elemento e me rendi à novidade, feliz de ter aprendido algo importante e saber que existia essa possibilidade, que não estava rendida a ‘engolir’ algo que pode ser bem nocivo a saúde diariamente sem estar consciente disso.

Mas parece que muita gente, em vez de pensar/questionar “nossa, existe uma solução NATURAL pra cuidar dos dentes, não preciso mais ser completamente dependente de um produto farmacêutico que usa diversos elementos em sua composição que eu nem imagino o que são”, odiou a sugestão da Bela e criticou com todas as forças a moça – que é conhecida por militar pela alimentação natural – estar dando esta dica em sua página no Facebook. Ok, se você se entope de açúcar refinado, carnes, industrializados, talvez a cúrcuma seja muito leve pra limpar sua boca… mas pra quem tem uma alimentação leve e saudável pode ser o suficiente.

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Gente, por quê tanto medo, tanto ódio? Parece que quando alguém demonstra que existem soluções mais simples do que a gente foi educado a acreditar o mundo desaba e tudo está perdido. Já ouviu falar de No Poo, Low Poo? São mulheres de cabelos cacheados que cansaram de testar produtos químicos que prometiam maravilhas mas não resolviam suas questões capilares, e foram investigar o que estava por trás das fórmulas de shampoos e cremes, muitos deles vendidos a preços bastante salgados.

Elas descobriram que diversos desses produtos têm em sua composição elementos tremendamente danosos aos fios cacheados, e que sim, a solução pra deixar os cachos hidratados e livres pode estar em não usar shampoo, ou usar poucas vezes e observando os ingredientes da sua composição. E muitas vezes os produtos mais indicados e com melhores resultados são os mais baratinhos da farmácia. Isso é inteligência, isso é uma revolução, é questionar as empresas que dominam o mercado e ter o poder de saber o que se está comprando, usando, colocando na cabeça.

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Não estou falando pra todo mundo sair escovando os dentes com a tal cúrcuma e nunca mais voltar ao dentista. Claro que não! tire suas dúvidas, leia, questione, troque ideias… mas não rebata a sugestão dela com ódio e sentimento de “quem é você pra falar sobre isso?”. Por quê não procurar saber mais sobre os tais malefícios do flúor (usado em grandes quantidades), procurar saber onde encontrar pasta de dente sem esse elemento, se questionar por quê no Brasil ainda é difícil achar esse produto no mercado… que tal refletir um pouquinho mais sobre produtos que parecem tão simples e confiáveis mas, na verdade, você não sabe o por quê de estar usando, do que é feito, como é feito?

Já vimos pessoas serem queimadas na fogueira por se conectarem com a natureza, os elementos, o poder da astrologia… em nome da razão, que transformou o mundo nessa coisa linda, limpa, livre e igualitária que é a nossa sociedade. Algumas pessoas cansaram de ver tanta coisa errada, desigualdade e opressão e pra não ficar de braços cruzados estão tentando mudar, ir além e incentivar os outros a fazer o mesmo… pense nisso antes de julgar.

uma tarde com bela gil

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Eu já era fã só de vê-la na TV e suspirar com suas receitas de dar água na boca e – o melhor de tudo – saudáveis. E queria porque queria bater um papo com ela. Convite feito, convite aceito: visitei pelo adoro! a cozinha (na casa) da Bela Gil, nutricionista e apresentadora do Bela Cozinha. E fiquei ainda mais fãs!

De cara a gente percebe que a Bela é simples, mas um simples cheio de interessância, assim como as receitas que ela ensina. E logo o papo envereda pra influência cultural de sua culinária: baiana, ela não nega as origens, mas mistura todo sabor ‘que a baiana tem’ com a sabedoria indiana. Quando mais nova via o pai – pra quem não ligou o sobrenome à pessoa, Bela é filha do Gilberto Gil – seguir a alimentação macrobiótica mas só engrenou na vibe saudável quando começou a praticar yoga.

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Da prática do yoga veio a vontade de mergulhar nos aprendizados do Oriente, incluindo no dia a dia muita meditação e leitura sobre o assunto. A faculdade de Nutrição e o curso de Ayurveda no The Natural Gourmet Institute (NY) ajudaram a criar o hábito e o amor pela alimentação saudável. Quer começar também? Ela dá dicas transformadoras: “cortar o açúcar refinado e a gordura trans; incluir linhaça, vegetais e temperos como a cúrcuma nas refeições; preferir os grãos integrais; comer alimentos com glúten e lactose com critério (ou seja, sem abusar!)”.

Ex-formiguinha, Bela conta que sua relação com doce mudou completamente. Nada de se jogar no biscoito recheado, nem mesmo quando a filha Flor, de 5 anos, pede. “Hoje a gente só come doce aqui em casa quando eu mesma cozinho. A exceção é um pedaço de chocolate amargo de vez em quando, com bastante cacau, que tem propriedades antioxidantes”. Viu como não é preciso se privar, basta ter consciência do que tá comendo?

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Mas Bela, jura que você nunca se rende a um convite amigo pra comer uma besteirinha fora de casa? “Claro que tem umas delícias que eu adoro, mas que como quase nunca, tipo uma vez por ano. Caldinho de sururu e abará, tradicionais da Bahia, por exemplo”. As outras vontades ela adapta: criada com muita feijoada, hoje ela tem prazer em servir pra família sua feijoada vegetariana. Ou, quem sabe, bolinho de bacalhau e coxinha de legumes com massa de inhame?

E qual a trilha sonora na hora de cozinhar? Arnaldo Antunes, Marisa Monte, Gal Costa, Charlotte Gainsbourg, Little Joy e Bob Marley (“ele já é tão de lei que eu quase esqueci de falar”). Restaurantes preferidos? Ela cita dois, em NY: Angelica Kitchen e Souen. E pelo Rio, onde encontrar a Bela? “Sou muito caseira, o que me faz sair de casa é ir à praia na Joatinga, ir em show no Circo Voador, ver algo novo no teatro ou cinema. E claro, fazer compras pra casa no Circuito Carioca de Feiras Orgânicas“.

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E se atualmente a gente vê no programa (terças-feira, no GNT, às 22h) o visual dela puxando pro feminino retrô, na segunda temporada, que estreia em setembro, o figurino ganha uma pegada mais étnica, bem estampada. “Tem tudo a ver com meu estilo, adoro lenços, turbantes, elementos afro e orientais”.

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fotos: Juliana Rocha

Tudo pra levar ainda mais beleza pra gente – e dar aquela forcinha na hora de colocar a mão na massa (integral, claro) também!