Victoria

Quem não tá viajando pode aproveitar o recesso ou a vibe mais light do fim de ano pra colocar filmes e livros em dia. Minha dica é correr pro cinema e assistir à Victoria, longa metragem alemão filmado em um único plano sequência. Ou seja, a câmera foi ligada na primeira cena e só desligada no final. Intenso!

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A obra é do diretor Sebastian Schipper, que tem no currículo filmes aclamados pela crítica como Corra, Lola, Corra e O Paciente Inglês. Filmar em plano sequência de verdade é uma tarefa exaustiva, que precisou de 12 ensaios pra dar certo. E deu! A ‘correria’ da técnica combina bem com o enredo…

Victoria é uma espanhola que vai morar em Berlim e acaba trabalhando num café, já que se desiludiu com a carreira de pianista. Dá pra ver que ela se sente sozinha na cidade, e por isso mesmo, aberta e vulnerável a fazer novos amigos. E é assim que ela se aproxima de quatro jovens alemão e tem a noite e o dia mais agitados da vida!

Não posso contar muito pra não estragar a surpresa, mas fica o recado: o que se pode ganhar ou perder se entregando e indo além? Só vivendo pra ver! Se a história te envolveu, dá play no trailer aí em cima e corre pra sessão mais próxima.

entrevista com karen hofstetter

Hoje meu blog faz 4 anos, uau! Nem sabia, hehe, wordpress que me lembrou. Achei fofo. Pra celebrar, uma entrevista que fiz pro blog da FARM, com a designer brasileira Karen Hofstetter – quem não conhece precisa conhecer já!

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Pense num design criativo, feminino sem ser bobo, com cores alegres, estampas… tudo que a gente ama! É assim o trabalho da designer paulista Karen Hofstetter, que trocou a vida à quatro rodas em SP pela liberdade da sua bike em Berlim, e vem conquistando fãs com suas imagens inspiradoras. A gente, é claro, correu atrás de uma entrevista exclusiva com ela. Prepare-se pra se encantar também:

Como foi mudar de Sampa pra Berlim? 

Um recomeço de vida! Estava infeliz com o meu trabalho e com o dia a dia em SP. Nunca fui do tipo que reclamava do trânsito e da violência, mas em 2009 senti um desconforto na minha maneira de viver. Nunca tinha vindo pra Berlim. Naquele ano, 2 amigos voltaram de lá e me disseram: “Karen, essa cidade é incrível – você precisa conhecer!” – e eu fiquei com isso na cabeça. Quando resolvi que estava na hora de mudar, não pensei duas vezes – pedi demissão e comprei uma passagem só de ida.Foi difícil no primeiro ano, não tinha contatos profissionais, conhecia muito pouco do mercado aqui, e quando a situação ficou apertada, resolvi começar a fazer alguns trabalhos como freelancer, e já que meu network no Brasil era mais amplo, vi que mesmo de Berlim o trabalho era possível. Comecei com projetos pra amigos, conhecidos, indicações, e quando me dei conta estava com o mês todo lotado de trabalhos legais. Já tinha parceiros no Brasil e em 2010 abri minha empresa. Me estabilizei fazendo o que eu gostava, e no fim percebi que ter trocado o meu carro por uma bicicleta foi o meu maior grito de liberdade.

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E estudar Publicidade e Design?

Me formei em publicidade pela FAAP e em Design Gráfico na Escola Panamericana de Arte. Apesar de ter começado minha carreria em agência de publicidade em SP, fazia muitos projetos de design e identidade de marca, e percebi que eram os que mais me atraíam, então essa “mudança” foi natural.

Qual seu signo? É ligada em astrologia?

Gêmos, ascendente em aquário, lua em peixes! Dois signos de ar e um de água regendo a minha vida! Minha mãe já fez alguns cursos de astrologia e foi muito legal ter meu mapa astral feito por ela, que já me disse algumas vezes que quando ando descalça (adoro!), é o meu corpo dando sinal de que precisa de um pouco de terra firme! :) Tenho características fortes de todos eles!

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Com um mundo cheio de imagens, como filtrar o que é importante pra você e separar o que te inspira?

Tenho álbum de fotos, sou viciada em Pinterest, compro livros toda semana, mas acho que o filtro é inconsciente mesmo! Sou muito agitada, falo rápido, faço mil coisas ao mesmo tempo (alô Gêmeos! rsrs). Dfiícil não reparar em algum detalhe. Sou daquelas que enquanto todo mundo come o cheesburguer, eu estou analisando a embalagem do ketchup, contando alguma história e ouvindo a conversa na mesa ao lado. Bombardeio minha cabeça todos os dias com cores, formas, texturas e referências, mas na hora de criar, preciso do meu sossego pra “organizar” mentalmente tudo o que vi, e colocar no papel o que senti.

Sua caligrafia é linda! Já era assim ou você foi aperfeiçoando?

Em 2009, trabalhando para uma campanha do Shopping Cidade Jardim em SP, fui assistente do Scott Schuman (The Sartorialist). E foi conversando com ele que na época descobri o trabalho daGarance Doré (musa!), fotógrafa, ilustradora e dona de uma caligrafia linda, que me inspirou a arriscar no rabisco com as letras. Foi quando comprei os pincéis e nanquim que comecei a trazer isso para os meus trabalhos de design. Mas claro, a gente sempre vai afinando, amadurecendo e se transformando com o tempo. Daqui 10 anos talvez a letra seja outra!

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Quais dicas você dá pra quem quer ser uma designer de sucesso?

Em primeiro lugar, amar o que faz. “Escolha um trabalho que você ame e não terá de trabalhar um único dia de sua vida.” (Confúcio) É isso, e ponto! Pra quem trabalha com design, referência também tem uma grande importância no seu dia-a-dia de trabalho. Se alimentar do que o mundo oferece, ter sensibilidade pra entender o que as pessoas precisam e esperam do seu trabalho. Não adianta só saber combinar cores e formas. Tem que ter um conceito, tem que contar uma história, e isso só é possível se você se alimenta do mundo, da arte e da história pra poder transformar o que já viu em coisas novas.

Como você se relaciona com o mundo da moda?

Um dia desses me dei conta de que quase todos os meus clientes estão ligados à moda. Na verdade isso foi espontâneo e acredito que tenha sido assim porque me interesso por isso, brinco de combinar cores, formas e texturas o tempo todo. Com moda não é muito diferente – no fim das contas, é a superfície que muda – ao invés do papel, usamos o nosso corpo!

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E como não morrer de saudades do Brasil morando fora?

Quem disse que não morro? Morro, desmorono e “desmorro” todos os dias um pouquinho! :)Nunca foi fácil largar tudo e ir pra lá, mas hoje percebo o quanto cresci por causa dessa mudança. Mas trabalhar com clientes do Brasil todos os dias é o que me mantém conectada e isso alegra os meus dias! Além disso, por causa do trabalho flexível e às vezes por projetos, tento vir sempre que dá! :) Passo sempre 1 mês no Brasil no verão e tento vir outras vezes durante o ano. Estou lá e aqui. (sou de gêmeos, lembra?! rsrs).

Pra voltar um dia

Às vezes eu fico pensando por que é tão bom viajar, e por que eu gosto tanto disso. Sabe, tem gente que, praticamente, nunca saiu da sua cidade e é feliz assim, nem deseja ir muito longe, ver o mundo na TV já tá bom. Depois de algumas várias sessões de terapia entendo com mais facilidade que a felicidade é um conceito muito diferente pra cada pessoa. Eu acharia esse cidadão que não sai do seu sofá um ser extremamente infeliz, sem ambição, etc, mas ele, coitado, pode muito bem não estar nem aí pra tudo isso que eu tanto valorizo.

Anyway, a ideia do post de hoje surgiu quando eu tava pensando nos lugares onde já estive e sonho – sonho não, pretendo – voltar assim que possível, ou quem sabe voltar sempre, ou aquela cidade que já é tão ‘minha’ que não consigo me imaginar nunca mais indo. Você já pensou nisso

Por exemplo: eu morei em Breckenridge, nos EUA, durante uns dois meses em 2007. Foi o suficiente, no inverno tem muita neve por lá, a cidade é pequena, enfim, não tenho muita vontade de retornar, a não ser por uma ou outra pessoa que conheci. Mesmo assim, acredito que nunca mais vou voltar lá – a não ser que eu queira esquiar…não, acho que nunca mais mesmo.

Mas Lyon, ao contrário… gostei tanto que não consigo me imaginar nunca mais pisando ali de novo. Paris também, bien sûr. Berlim, que me surpreendeu de uma forma surpreendente (oi?!é, eu não sabia que ia amar arte urbana tanto assim), é uma cidade em que eu preciso ir de novo. Além de Londres (múltipla!) e Lisboa (nossa origem?). Nova York e São Francisco me fariam pegar um vôo de 12 horas mole, mole.

Doido isso, né? Conheço quem não pretende voltar pra esses lugares tão cedo, já viajou o que tinha que viajar por lá e pronto. Eu não, sinto que a cada vez que eu for vou ser uma pessoa diferente, que vai aproveitar a cidade de outra forma.

No Brasil também tenho as minhas queridinhas. Búzios, por ser o lugar do litoral onde eu vou desde criança, onde já conheci alguém muito importante na minha vida, e onde, enfim, todo mundo acaba indo uma vez ou outra. Você consegueria nunca mais voltar em Búzios? Pode bem ser que sim, mas eu, com certeza, não. Itacaré também é o lugar quando eu penso em praia, açaí, sol, bronzeado, surfe, relax.. queria muito voltar, mas ouvi dizer que a criminalidade por lá tá fueda, isso me desanimou.

Esses pontinhos no mapa-múndi me lembram experiências boas, sensações únicas, me interessam pelo estilo de vida, pela beleza, pela arquitetura, pela língua, sei lá. Fazem um pouco parte da minha história, ainda bem. E contando que ainda existe uma penca de países e cidades que eu quero conhecer, haja dinheiro e férias pra alcançar a realização, né? Ou um trabalho que se encaixe com esse estilo de vida, quem sabe? (sonho).

Galeria a céu aberto

Em Berlim, fiz um “art tour” que sai toda quarta-feira às 14h do The Circus Hostel. Ótimo pra explorar a cidade a pé e dedicar algumas horas pra simplesmente observar as pinturas nos muros e ouvir histórias sobre a cultura dessa cidade mucho loca. Tão louca que ainda não saquei qual é a dos alemães, acho que essa conclusão vai ficar pra próxima viagem por aqui… mas enfim, aí vão fotos do que eu mais curti!

Jesus loves you more than you would know, hohoho

Muitos dos prédios abandonados que foram invadidos por sem-tetos são cheios de grafite, o que torna uma simples caminhada muitos mais interessante.

Alias, um dos meus artistas preferidos, e suas muitas imagens que remetem à infância espalhadas pela cidade. Acho que ele tem uns 22 anos e já tá ganhando uma grana com a venda de seus trabalhos.

Porta também é lugar! Viva o amor..
Mais Alias…

Blu, e suas imagens com mensagem política. Esse muro fica no bairro de Kreuzbeurg, um dos mais moderninhos do momento. Imperdível o passeio por lá.

Pra fechar, mais uma do Alias.  Trust no faces!