O Whitney de casa nova

O MeatPacking District, um dos bairros mais efervescentes da ilha de Manhattan, em Nova Iorque, está mais bombado do que nunca. Isso porque acabou de se mudar para lá o mais novo Whitney Museum of American Art, que desceu alguns quarteirões do Upper East Side para chegar à uma região superartsy da Big Apple, pegando o frescor do Hudson River e logo ao lado do High Line Park. Por ali ficam galerias como a Gagosian, ateliês de artistas e estilistas e muitas lojas hypadas. Ou seja o novo Whitney está rejuvenescido e mais em casa do que nunca.

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Não bastasse o novo endereço, o Museu chama atenção pela arquitetura, totalmente diferente da de sua sede anterior. Projetado pelo italiano Renzo Piano, que também foi responsável pelo interessantíssimo Centre Georges Pompidou, em Paris, o Whitney agora dobrou de tamanho e tem uma estrutura mais aberta e transparente, totalmente convidativa e integrada à vizinhança. Bem diferente da dira e séria fachada de granito anterior, criada por Marcel Breuer.

bola focando na arquitetura do museu

“O design para o novo museu surgiu de um estudo minucioso das necessidades do Whitney e também do estímulo dessa localização notável. Aqui, de uma só vez, você tem a água, o parque, as poderosas estruturas industriais e o excitante mix de pessoas, reunido por esse novo prédio e pela experiência da arte”, explica Renzo no site oficial do museu.

Mas além de impressionar pelo tamanho e pela nova embalagem, o Whitney conquista pelo rico conteúdo, afinal ele é o líder mundial quando o assunto é a arte americana do século XX e contemporânea. Para a inauguração, a pedida foi escolher o melhor da extensa coleção do museu que reúne mais de 22 mil trabalhos de vários meios, criados por aproximadamente 3 mil artistas.

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America is hard to see é a primeira exposição e ocupa, até setembro, todo o seu espaço com mais de 600 trabalhos. Vale pontuar que o nome da exposição, inspirado em um poema de Robert Frost e um documentário político de Emile de Antonio, retrata com êxito o cenário cultural efervescente e em constante mudança do país que, claro, é refletido nas manifestações de seus artistas, e também nos lembra que é dificil definir claramente toda essa ebulição.

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A visita por lá é superagradavel. As salas, sem colunas, são perfeitas para exibir grandes obras de arte de gênios como Willem de Kooning, Edward Hoopper, Jean-Michel Basquiat, Barnett Newman, Joan Mitchell, Mark Rothko, Louise Bourgeois, Jackson Pollock, Yayoi Kusama, John Baldessari, Frank Stella, Keith Haring, Nam June Paik e por aí vai. Entre um andar e outro, ainda dá para respirar um pouco na área externa do museu, observando Manhattan, a vista pra New Jersey, e as esculturas que ficam do lado de fora.

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Fotos: @marivferrari

Reunir movimentos e trabalhos tão ricos e diversos é tarefa das mais complexas e estimulantes, e a curadoria cuidadosa do Museu reuniu de peças formalmente transgressoras, como as pinturas das décadas de 60-70 que, para se reinventar ganharam novos processos quase esculturais – se você também é fã, fique de olho nos trabalhos do sexto andar. E já que a arte também é uma forma de entender a história, não faltam criações com temas sociais como a luta contra a AIDS (ao chegar ao quinto andar somos saudados pela parede cheia de litografias do presidente Ronald Regan e o escrito He Kills Me, na obra de Donald Moffett). As questões raciais, reflexões pós-guerras mundiais e do Vietnã e Afeganistão e questões de gênero também estão por lá, enriquecendo a experiência e tornando tudo mais atual.

Interessante observar que a exposição é montada cronologicamente mas, em vez de ter seus temas nomeados por estilos ou correntes artísticas, ela vem representada por capítulos – 23 no total – com nomes tirados das obras de artes mais significativas para evocar o espírito de cada seção.  Afinal, nada melhor do que arte para tentar definir arte com liberdade.

9 - simbolo de check in - Gansevoort Market

Aproveite para conhecer: Gansevoort Market

Fome de arte saciada, é hora de agradar estômago. Com diversas opções de restaurantes das mais variadas culinárias do mundo, o mercado Gansevoort, na mesma rua do Whitney, é bom para quem quer continuar o passeio pelo bairro, digerindo toda a arte vista.  As opções vão das clássicas pizzas e massa italiana, passando por tacos, sushis e  pratos típicos espanhóis e tailandeses. Com direito a sorvete e cookies, claro. Por lá ainda dá para garimpar flores e novidades como chás orgânicos e bebidas feitas por uma nova castanha africana. É um bom lugar para ver, ser visto, e saciar a fome com estilo.

visita: joshua liner gallery

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O curador do site The World’s Best Ever acabou de organizar a exposição All Types of Characters na Joshua Liner Gallery. É uma viagem pela mente de 30 artistas contemporâneos expressando seus sentimentos sobre identidade, beleza, papel social. Tem gente do Canadá, Dinamarca, e claro, EUA.

Fui conferir a abertura na semana passada e pela obra acima já dá para ver que vale o passeio. ‘Self Portrait as woman in Les Demoiselles d’Avignon by Pablo Picasso’, de Jaimie Warren é a minha favorita por transformar uma das pinturas mais emblemáticas da história da arte em um autorretrato super bem executado e com humor. Lembrou das mais diversas selfies que vemos online e que já viraram entretenimento – e business – de muita gente? Isso que a Jaimie fez é arte metalingusística, irônica e esperta da melhor forma.

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Esse trabalho de Christian Rex van Minnen parece uma fotografia, daquelas que te faz pensar ‘epa tem algo errado (e muito certo) aí’. Dá um soco no estômago e encanta ao mesmo tempo. Quem nunca se sentiu assim meio desconfigurado, torto, todo errado… mas ainda assim belo? Só que não é Photoshop não, essa é uma pintura a óleo criado com influências dos pintores holandeses, os renascentistas e os surrealistas. Coisa de mestre.

Abaixo, alguns outros trabalhos que destaco:

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Frohawk Two Feathers

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Richard Colman

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Timothy Uriah Steele

A arte é pra envolver seus sentidos e te fazer tirar suas próprias conclusões… então deixo aqui a dica desse passeio imperdível pra quem estiver por NY até dia 10 de julho!

Por essas e outras que amo essa cidade.