A guerra está declarada

O filme francês “A guerra está declarada” conta uma história real, baseada na experiência da própria diretora, Valérie Donzelli, com seu ex-companheiro Jérémie Elkaïm. O longa foi aclamado no último Festival de Cannes, sendo recorde de bilheteria em seu país.

O casal Roméo e Juliette – interpretado pelos próprios Jérémie e Valérie – se conhece em uma festa e parte para um relacionamento intenso e divertido, que culmina com o nascimento de Adam (César Desseix). O choro intenso do bebê, no entanto, faz seus pais desconfiarem de que algo está errado. Tempos depois, outros problemas de saúde se manifestam e Roméo e Juliette descobrem que Adam tem um tipo raro de tumor no cérebro.

O que poderia virar um dramalhão se torna um belo filme sobre esperança e perseverança, com cenas bem-humoradas. Os pais acreditam que vão conseguir salvar o filho e se dedicam intensamente ao tratamento, longo e nada fácil. Mesmo com o dia a dia pesado, o casal consegue ter momentos de diversão e aproveitar a vida a dois. Não vou contar o final, mas dá para dizer que ele é feliz e bonito. Vale o ingresso, com certeza.

Confira o trailer abaixo:

Pra mim, ♥♥♥♥♥.

O charme do “feio-bonito”

Vi “Gainsbourg – o homem que amava as mulheres” ontem e pensei: preciso escrever sobre esse filme.
Confesso que só conhecia o cantor pela canção “Je t’aime… moi non plus” e de nome – ele é parte da cultura francesa, vi muitos de seus cds à venda, mas ficava perdida sem saber “por onde começar”, por isso não comprei nenhum na época em que morei em Lyon.
E não é que o filme me fez enxergá-lo de uma forma bem profunda? Gostei das cenas da infância, ele menino, feiiiinho, mas já com uma lábia sedutora para conquistar belas mulheres. Isso mesmo, o talento com elas veio desde criança!
Interessante, também, é ver seu desempenho em outro meio artístico – o da pintura. Não sabia que ele tinha começado sua imersão no mundo das artes no mesmo ramo de Picasso e Dalí. Aliás, segundo o filme, ele conquistou Elizabeth, que era “alguma coisa” do rei Surrealista e até a conheceu “mais intimamente” na casa do pintor! Que feito, hein…

A vontade de fugir de um mundo careta e de um estilo de vida certinho ficou clara tanto nas letras de suas músicas, quanto em suas melodias e formas de cantar. O cara inovou, realmente. E teve coragem de fazer coisas impensáveis, como gravar “Lemon Incest” com sua filha, Charlotte Gainsbourg – que, na época, tinha só 12 anos e já dava uns gemidinhos bem ambíguos!
Acho que isto, esta certeza de si mesmo, de saber ser quem se é, de assumir o lado “gauche” da vida, fazia com que Gainsbourg fosse amado e desejado por musas como Gréco, Bardot e Birkin. Seu estilo transgressor encantou as mulheres, doidinhas por um homem fora do “padrão” (estético, social, cultural…).
A gente vê tanto homem feio namorando com mulher bonita… quem dera eles tivessem metade do talento e da ousadia inteligente do Gains! 🙂

Como diz o trailer do filme…”You know the music, but do you know the man?”. Acho que o filme cumpre com maestria o papel de nos apresentar esse grande mito.