inCertezas

A dúvida não saía de seus pensamentos. Fizera a escolha certa? E agora, haveria volta?

Diante de um mundo turbulento e fadado à destruição, é quase um paradoxo pensar no futuro. Por que nosso estilo de vida é assim? Por que existe um estilo de vida? Quem foi o infeliz que criou essa condição e limitou tão profundamente a vida humana? E quem não deseja se encaixar nesses termos, faz o quê?

Chega, já não queria mais perguntas em sua mente. Ignorou os questionamentos que cismam em lhe chamar a atenção.

Fato é que houve uma desilusão – dentre tantas outras já vividas, mais uma para lhe desanimar.
Apenas gostaria de entender o porquê (mais uma vez). Seria por conta de seu perfeccionismo? Ou sua mania de idealizar as coisas? Ou, simplismente, imaturidade? Ou, quem sabe, inocência…

Em uma vida de incertezas, essa era mais uma. O que fazer?

Decidida a não mais se preocupar com o futuro, que sempre enxergou de modo ansioso e apreensivo, resolveu ir pro mundo viver a vida como ela é.
Mas agora, sem as ilusões e os medos que tanto a atormentavam. Será que consegue?

Domingo, 9 am


Chegou à conclusão de que só se sentia vivo no mundo virtual.
Não se adaptava, não mais suportava a podridão da carne e a dureza do osso.
Preferia a distância.
Ali mantinha longos diálogos consigo mesmo, discutia filosofia com os grandes mestres (muitos deles, considerados “mortos”- “ah, se eles soubessem”….). Muitas vezes, também, se lambuzava com cultura inútil sem que ninguém visse.
Ali ele não era julgado.
“Nada mais me interessa nessa vida de amargura”, dizia para si mesmo todo (o) dia.
Nem mesmo o sonho lhe parecia vital, sua mente não mais sentia a necessidade do descanso. Trabalhava a mil por hora. Queria saber mais, ler mais, ver mais, fazer mais…
Diante disso, apaixonou-se pela solidão. Era a parceira ideal para ele aproveitar a vida como queria.

“Não é impossível ser feliz sozinho…”, dizia .