além do ‘ele’ e ‘ela’

(Ainda bem) estamos vivendo num tempo de maior consciência coletiva, onde, por exemplo, as bandeiras dos questionamentos de gêneros estão super hasteadas – e balançando em mais lugares a cada dia. Não é de se admirar, portanto, que a moda também reflita essa nova realidade. Como?

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Esqueça aquela ideia de roupa pra menino e roupa pra menina. O consumidor está buscando, e os estilistas estão de olho: chegou a hora da moda unissex mostrar seu valor e ganhar espaço nas ruas e nos guarda-roupas do mundo afora. Uma verdadeira liberdade de ser e se expressar!

Porque há tempos a gente já adorava roubar a camisa do namorado ou ir atrás de um modelo de calça jeans ‘boyfriend‘, mas agora a gente também vai poder entrar em lojas onde não há especificação e rótulos dizendo que tal seção é feminina ou masculina. Afinal, a moda é pra quem quiser!

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A questão é agradar a quem curte e se identifica com a atitude genderless, ou seja, sem gênero, que não está, necessariamente, ligada a tal ‘orientação sexual’, é só uma forma de se colocar no mundo. Cores? Todas liberadas pra ambos os sexos, e isso vai até as roupas infantis, ufa! Aliás, a gente já tem visto por aí rapazes como Kanye West usando blusa da Céline, Pharrell que não desgruda do seu colar da Chanel e Jaden Smith com modelagens que lembram saias e vestidos.

O movimento ganha força com as marcas apostando em modelagens e caimentos que cabem em corpos de homem ou de mulher. Yves Saint Laurent, Gucci e Raf Simmons são algumas das que já mostraram que estão superligadas nesse desejo. Um ótimo sinal de que os tempos mudaram é a seção Agender que, desde março, funciona na multimarca inglesa Selfridge’s com roupas e até produtos de beleza sem demarcação de gênero.

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Alguns pesquisadores de moda já apontaram que as mulheres estão aderindo com mais facilidade a essa moda. Agora a gente quer saber se os rapazes vão ousar mais, quem sabe com saias e vestidos, ou peças como blusas e bermudas que ao menos lembrem as modelagens ‘femininas’?

Estamos curiosas pra ver… e provar!

O valor do espontâneo

Olhe bem para essa imagem. Sim, é mais uma capa da Vogue. Mas o que ela tem de diferente? De cara podemos ver o cabelo ao vento, os olhos quase fechados, o sorriso cheio de dentes, a barriguinha de fora, a pele natural, a combinação de uma jaqueta supervaliosa com um jeans manchado. E o que isso significou?

Essa capa foi a primeira criada por Anna Wintour, a “diaba que veste Prada”, editora da Vogue America desde 1988. Em um artigo revelador na edição de setembro de 2012 – aquela em que a revista completa 120 anos e traz Lady Gaga #aloka na capa -, Anna conta que essa foto não foi pensada para estampar a publicação.

Mas quando o ensaio foi revelado e Anna bateu o olho na imagem, pensou: “é essa! Essa foto tem algo de transformador, traz novos ares e é atraente”. A espontaneidade do clique que parece (e foi) roubado na rua. O corte tipo plano americano – diferente dos closes em modelos supermaquiadas e cheias de joias caras. A modelo estar usando jeans porque a saia do conjuntinho não coube. Tudo isso significou algo além da moda high-low e natural, condensou simplesmente o poder de demonstrar uma mudança e para Anna isso não poderia ser mais definitivo para escolha de uma capa.

Adorei essa história! Mais aqui.