arte pelo l.e.s

É lugar-comum vir pra Manhattan e querer dar um rolé pelas galerias do Chelsea, afinal por lá estão gigantes como a Gagosian. Mas também dá pra achar opções mais acessíveis e fresh pelo Lower East Side, região com cara de Berlim, restaurantes com preço amigo e lojas maneiras. Você vai indo de uma galeria a outra sem ver o tempo passar, observando e absorvendo diferentes tipos de arte – amando ou não, achando que vale ou não. Bom pra treinar o olhar e reconhecer seu gosto. Selecionei alguns artistas que chamaram minha atenção na minha última volta descobrindo as galerias daqui. Algumas expôs não estão mais em cartaz, outras sim.

Nari Ward – Breathing Directions – até 9 de novembro @ Lehmann Maupin Gallery

A exposição exibe lindos painéis de cobre marcados pelos gestos e pisadas do artista. Tem também uma obra interativa no chão (foto abaixo), onde o espectador é convidado a caminhar sobre e onde a cada manhã um objeto diferente é ali deixado. Seus trabalhos falam de história, interação com o espaço, memória.

Processed with VSCOcam with f2 preset

Nari Ward nasceu em St. Andrew, Jamaica.

Clement SiatousSagren (não está mais em cartaz) Simon Preston Gallery  – @ 301 Broome St

À primeira vista as pinturas de Clement lembram aquelas que a gente vê vendendo na pracinha de Búzios ou Cabo Frio, artesanato simples, alegre, mas sem querer desmerecer… o que elas estariam fazendo em uma galeria em NY? A intenção por trás dessas pinturas é mostrar a realidade das Ilhas Chagos, pequeno arquipélago no meio do Oceano Índico que teve a população expulsa pelo governo Britânico com o objetivo de criar ali uma base naval pros EUA em 1973. Além de dominarem o território, os governos britânico e estadounidense ainda criaram um papo de que essa região nunca havia sido habitada, e a história colou fácil porque quase não existem registros fotográficos da vida por lá. Uma forma de denunciar a situação de tantas famílias e eternizar a realidade de um lugar que não tem direito a existir plenamente.

Processed with VSCOcam with f2 preset

Helen O’ LearyDelicate Negotiations (não mais em cartaz) – Front Gallery @ 54 Orchard St

As pinturas dela são feitas em superfícies de madeira. Forma, textura e cor pra atiçar nossa sensibilidade e pensar como a pintura pode ir muito além da tela.

crg_2015_install_7

Alexandre da CunhaAmazons – CRG Gallery @ 195 Chrystie St

Usando materiais como toalha de praia e tecido, Alexandre, brasileiro que estudou arte em Londres, traz um baita frescor em suas telas. Um belo trabalho de cor, textura, colagem, ressignificação. Essa é a primeira exposição de Cunha totalmente focada em pinturas (‘wall works’). Jens Hoffman, diretor do Jewish Museum, criou a expressão ‘tropical ready-mades’ pra falar sobre os trabalhos de Alexandre. Calhou perfeitamente. Eu, que não conhecia o artista, achei que essa foi uma das melhores descobertas.

Por isso que eu digo, a melhor coisa de se fazer em NY é andar pelas ruas e descobrir as diversas galerias, lojas e restaurantes que você não acha pelos guias. Enjoy it! 🙂

um pedaço da grécia no lower east side

Depois de muita correria e dias no estúdio do meu namorado ajudando nos trabalhos pra abertura da exposição dele ontem – (Something the sun would say, na Castor Gallery) – finalmente tivemos tempo pra relaxar e curtir um pouco do que NY tem de melhor: os restaurantes!

  
E começamos super bem, num lugar que trás especialidades da culinária da Grécia pro Lower East Side, num clima bem descontraído e com aquele jeito espontâneo e caloroso dos nosso amigos gregos. O Kiki’s (endereço: 130 Division St) é a nova casa dos donos do restaurante cool Forgtmenot (assim tudo junto mesmo), que aliás fica bem ao lado dali.

Como estávamos com um grupo grande a opcão foi sentar na mesona que fica na área mais interna, o que adoro em restaurantes pois mesmo que o grupo não esteja lotando a mesa, dá aquela sensação boa de se estar em casa, com os amigos. Pra facilitar, a pedida foi provar as porções do menu como pasta de beringela, tzatziki (molho de iogurte com pepino), um polvo grelhado maravilhoso, moussaka, saganaki (queijo frito com ovos), batata frita rústica com feta, entre outros (confesso que não sei todos os nomes pois as comidas vinham chegando à mesa). De acompanhamento ainda vinha um pão torradinho e temperado MARA!

Pra mim o restaurante ainda ganhou muitos pontos porque a comida já vem bem marinada e com um toque de limão que dispensa o acréscimo de outros temperos… e porque o banheiro é lindo, limpo e espaçoso, parece banheiro de casa mesmo, hahaha… geralmente isso fala muito do cuidado que os donos têm com o local, né?

 Tá por NY e quer provar algo novo? Passa lá!

  
Kiki’s – 130 Division St, Lower East Side, Manhattan – aperto das 5pm até meia-noite.