Matcha Fever

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Os new yorkers adoram saber qual o mais novo superfood do momento, e o Matcha – pó de chá verde com mais nutrientes concentrados – conquista cada vez mais espaço nos cafés descolados. Tanto que acabou de ganhar uma casa só para ele no Soho!

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Cha Cha Matcha abriu as portas na Broome Street (Downtown Manhattan) este mês e, pelo cardápio e a decoração com vibe tropical-hipster, tem atraído um público jovem na pausa da correria. Quem chegar mais pra sentar e ficar horas trabalhando no laptop também tem vez – as mesinhas redondas são um charme à parte, e o menu inclui lanchinhos glúten free e até café da hypada La Colombe.

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Pedi um coconut milk matcha latte gelado nessa manhã de verão… confesso que o sabor não é como de um cappucino ou chai tea, mas o amarguinho vale a pena pelos benefícios do Matcha: tem cerca de 130 vezes mais antioxidantes que o chá verde, é rico em vitamina c, selênio, cromo, zinco e magnésio, diminui o colesterol e o nível de açúcar no sangue, é anti-cancerígeno…

Na parede um cartaz diz :::: 1 cup of Matcha = 10 cups of green tea ❤

Pois é, pelo que dizem o Matcha é praticamente milagroso, vamos acreditar, porque a fé ajuda nos benefícios (haha).

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Dizem que os sócios do café se conheceram estudando na NYU e foram até o Japão encontrar os melhores produtores de chá. A paixão pelos ingredientes japoneses fez o menu ir além dos cafés e lattes e também contar com drinks que levam feijão vermelho e yuzu (fruta cítrica originária do leste asiático).

Vai lá:

Cha cha Matcha

373 Broome St – NY

A arte de Mickalene Thomas

Mickalene estudou arte no Pratt Institute e em Yale, e é fortemente inspirada pelos gêneros clássicos da pintura de retrato, paisagem e natureza morta. O pintor Manet e o fotógrafo Malick Sidibé são algumas da suas influências. Juntando tudo isso à sua herança da cultura negra ela retrata mulheres fortes e fala de ideais de beleza, emponderamento, feminilidade, essência, transgressão.

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Além de produzir pinturas e colagens, Mickalene também é amante da fotografia, e claro, com as mulheres negras como objeto de observação das suas lentes. Ela cresceu vendo a mãe, modelo, participar de desfiles e começou a criar sua estética fotográfica a partir daí. E é isso que podemos em Muse: Mickalene Thomas Photographs, até março na Fundação Aperture, em NY.

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Nessa série de trabalhos podemos nos encantar com o universo kitsch – cheio de fascinação e, por que não?, elegância -, representando mulheres que são fortes e cheias de beleza real, mas que não têm o ‘ideal de beleza’ preferido pela mídia e a publicidade. Até quando?

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Não pude conferir ao vivo, mas pelas fotos vemos que a exposição reúne fotografias em larga escala e até reproduz alguns dos ambientes usados/criados para os trabalhos da artista.

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Curiosidade pop: é dela também a foto do álbum True, da musa Solange Knowles.

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Aqui dá para ver o livro feito sobre a exibição e neste outro link dá pra ler uma entrevista bacana pra Interview Magazine, sobre uma outra série de trabalho exibida em 2014.

Dos cafés com Patti

Ano passado em um domingo em NY, saí pra tomar um café, tentar comprar um par de tênis… voltei pra casa com duas novas aquisições. Novinhos em folha, prontos pra me acompanharem nas viagens de metrô e nas tardes aquecidas:

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Sim, o sapato podia ficar pra depois, era hora de arrumar um bom livro pra ler e nada melhor do que conhecer Patti Smith. Comecei pelo Só Garotos e não deu vontade de terminar de ler… Esse livro é daqueles que fazem a gente se sentir totalmente dentro da história, e essa história é nada mais nada menos que NY na década de 60, explodindo com movimentos artísticos, poesia, fotografia, libertação sexual, drogas, enfim, autêntico #vidaloka. Mas não é um simples retrato histórico da cidade. A gente vive um pouco da infância/juventude de Patti, e muito de sua trajetória com Robert Mapplethorpe. A ligação deles é bonita de se ler, algo diferente do que ‘apenas’ um amor entre namorados…entre eles rolava uma mútua alimentação artística; a conexão ia muito além do eixo homem/mulher.

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“Both of us had given ourselves to others. We vacillated and lost everyone, but we had found one another again. We wanted, it seemed, what we already had, a lover and a friend to create with, side by side. To be loyal, yet be free.”

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Só Garotos é um mergulho na vida de verdadeiros artistas, aqueles que muitas vezes passam aperto financeiro, que não têm rotina ou às vezes trabalham só pra ter um sustento básico e poder comprar material pra criar. Motivações filosóficas e pessoais, a vontade de expressar algo que incomoda e corta lá dentro, a vontade de romper barreiras e transformar comportamentos. Uma arte em um tempo que permitia experimentações, que o prazer era se sentir criando, fazendo, influenciando vidas e personalidades.

É até curioso que em M Train Patti mal fala de Robert. Mas a gente se sente seguindo a vida com ela, depois da perda do melhor amigo, do marido e do irmão. Nessa leitura me senti como se tivesse conhecido Patti como uma senhora meio mal encarada num café, contando histórias pra quem lhe parecesse interessado em ouvi-la ruminando sobre a vida. São lembranças tocantes e excêntricas, sobre a viagem à Guiana Francesa, alguns passeios por cemitérios, e quase perder uma casa em um furacão… Confesso que preferi o entusiasmo de Só Garotos. Mas a escrita de Patti é tão bonita, pessoal e sensível, que cada página de M Train continua sendo um prazer.

“How did we get so damn old? I say to my joins, my iron-colored hair. Now I am older than my love, my departed friends. Perhaps I will live so long that the NY Public Library will be obliged to hand over the walking stick of Virgnia Woolf. I would cherish it for her, and the stones in her pocket. But I would also keep on living, refusing to surrender my pen.”

Stella, a metamorfose ambulante

(Vou ser sincera, era pra eu ter escrito este post há dois meses. Só que por vários motivos ~errados~ eu fui deixando na gaveta. Agora a exposição acaba em duas semanas. Mas antes tarde do que mais tarde!)

Frank Stella sempre foi, pra mim, o cara que ~brincou~ com a pintura de uma maneira bem inteligente e ousada. Pra quem não sabe, ele ganhou destaque na virada da década de 50 pra 60 com suas Black Paintings, transformando o universo do expressionismo abstrato e se tornando um dos marcos inaugurais do minimalismo.

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A retrospectiva no novo Whitney nos permite ver os trabalhos desde essa época, e como Frank, esperto que só, foi se reinventando a cada série, muitas vezes desdizendo aquilo que já tinha sido sua teoria. Sim, porque depois de fazer algumas obras-primas do minimalismo, Stella surpreendeu com o uso de inúmeras cores, trabalhos em escalas monumentais, pinturas feitas em superfícies de alumínio (essa abaixo me lembrou muito a estética do graffiti). Ele se recusa a seguir uma linha específica, desafiando o mercado e os críticos.

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Vá com tempo e aprecie a exposição todinha, porque é a chance ficar cara a cara com um pedaço muito estimulante da história da arte. Os andares do museu estão recheados com pinturas, esculturas (aliás, a pergunta ‘isso é uma pintura ou uma escultura?’ muitas vezes vem à tona), gravuras, trabalhos em relevo, além de estudos em desenho. O passeio por lá é uma delícia, algumas das galerias têm janelas que dão pro Rio Hudson, enchendo de luz natural o Museu.

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É arte ‘fria’, é arte ‘quente’, é minimalista, é Carnaval. Tem-se um pouco de tudo na trajetória de um dos artistas plásticos mais importantes (e vivos) dos EUA. É bom pra treinar o olhar, ler e ouvir o que o artista tem a dizer e, claro… abrir a cabeça.

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Por isso, se estiver em NY até 7 de fevereiro, simplesmente vá!

os cinco + do bklyn

Outro dia falei sobre cinco opções de restaurantes irresistíveis em Manhattan, agora chegou a hora de descobrir o que o Brooklyn reserva pra nós. Selecionei mais cinco dicas de lugares bacanas com diferentes tipos de culinária. Aproveita e visita na sua próxima viagem!

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  • Bunna Cafe

Já ouviu falar da comida da Etiópia? Por lá, é comum abdicar de carne e álcool alguns dias da semana e fazer um belo ritual na hora de tomar café. Em Bushwick dá pra ter um gostinho das maravilhas que eles fazem e experimentar os pratos veganos (a variedade do ‘feast for 2’ surpreende), além do café passado na hora. E se você ficou curioso, aqui nesse vídeo dá pra saber mais.

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  • Union Pizza Works

Quer comer uma pizza das boas sem pegar a fila e encarar os garçons antipáticos do famoso Roberta’s? Fuja pra Union Pizza, também em Bushwick. A gente garante que é tão bom quanto, com opções variadas, preço mais amigo e um climinha gostoso de cantina hispter. A galera por lá tá sempre disposta a indicar um bom vinho pra harmonizar com sua escolha – e os garçons costumam ser bem gatinhos.

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  • Rosarito Fish Shack

Depois de rodar pelas ruas de Williamsburg visitando as lojinhas, vale aproveitar o happy hour desse restaurante mexicano, quando o preço da taça de sangria (delí) cai pela metade. Ah, e claro, entregue-se às quesadillas e ceviches feitos com um mega capricho.

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  • Pies ‘n’ Thighs

Tá a fim de meter o pé na jaca? Aproveite o estilo comfort food de lá. O menu é recheado com frango frito (no site eles informam a preferência por fornecedores que não usam antibióticos nem hormônios na criação das carnes), waffles e sanduíches. Mas não pára por aí: as sobremesas incluem o melhor donut e a melhor torta de maçã de NY, eleitos por revistas especializadas da cidade. Se é pra se jogar, vai no mais bem cotado! Além da casa em Williamb eles abriram recentemente no L.E.S.

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  • Santa Salsa

Com menu inspirado nas comidas de rua da Venezuela, esse restaurante tem um food truck estacionado dentro do bar Over the Eight, em Williamsburg. Os preços são ótimos e o cardápio traz opções como cachorro-quente (a versão veg com cenoura no lugar de salsicha é surpreendente!), empanadas e porção de aipim frito (boa pra matar as saudades). Aos sábados e domingos eles estacionam no Smorgasburg Food Festival, que rola em pontos diferentes do Brooklyn.

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É verdade que depois de um tempinho nosso tradicional arroz com feijão faz falta. Mas, nessas horas, a boa é abraçar a variedade e conhecer os mais diferentes tipos de culinária do mundo. Pra inspirar o paladar e a sua próxima aventura na cozinha! 😉

os cinco + de ny

Quem é fã de um prato de arroz e feijão pode ficar perdido quando tá viajando por outro país, mas a experiência convida a se abrir ao desconhecido. Em NY, a capital do mundo, então, nem se fala. Fiz uma seleção com 5 restaurantes imperdíveis de Manhattan. Foi difícil, já que a cidade é lotada de opções maravilhosas, mas estes encantam pela culinária diferente do que estamos acostumados e pelo preço mais amigo. Olha só:

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  • Kiki’s

Bem entre Chinatown (o letreiro da fachada é escrito em cantonês) e Lower East Side, região de Manhattan que fervilha com galerias, lojas e cafés, o Kiki’s é um restaurante grego, ou seja, espere encontrar Tzatziki (iogurte com pepino), entradinhas com beringela, polvo e cordeiro como opções – irresistíveis – do cardápio. O pão, servido por conta da casa, é um dos melhores também. Ambiente descontraído e comida boa tornam o clima perfeito pra um jantar por ali.

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  • Café Himalaya

Menu com deliciosas opções vegetarianas e também pratos com carne. O espaço é pequeno, mas o atendimento é ágil. A salada de batata com abacate, o curry com vegetais ou o frango com iogurte são pedidas certeiras. O preço de cada prato geralmente não passa de 10 dólares. E já que você tá em NY, tem que dar a chance pra outras culturas mostrarem que mandam muito bem na cozinha… 😉

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  • Pepe Rosso

Uma boa massa, um bom vinho… quem resiste? Esse italiano é praticamente uma rede, com opção no Chelsea, Greenwich Village e Little Italy/Soho. Mas seja em qual você for, vai encontrar pasta feita em casa e menu com diferentes massas e molhos. Ah, o pão servido pela casa também é irresistível e o menu de sobremesa é de perder a linha – pense em um tiramisu de nutella!

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  • by Chloe

Esse lugar mostra como é possível fazer comida vegana e saborosa, seja hambúrguer, massa ou sorvete. É de provar e se surpreender olhando os ingredientes – burger de feijão, macarrão de batata? Sim, sim. Vá com paciência porque às vezes rola uma fila pra fazer o pedido, mas a decoração e o design da casa deixam a refeição ainda mais leve e gostosa. Aproveite pra andar pela Bleecker Street, uma das ruas mais charmosas do Greenwich Village.

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  • Angelica Kitchen

Um dos preferidos da Bela Gil (ela contou pra gente aqui, lembra?). Também pudera, o cardápio é bem variado, de sanduíches a saladas e currys, além de um menu diário, feito com os ingredientes fresquinhos vindo de produtores orgânicos e locais. As mesas redondas e coletivas deixam tudo com jeito de almoço/jantar em família. Fica no East Village. Vá!

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As opções aqui listadas ficam mais ao sul de Manhattan, onde a gente encontra os lugares mais misturados, com culturas diferentes por todos os lados, opções menos turísticas e valorizadas pelos moradores locais. Se tiver com viagem marcada anota essas dicas ou manda pra aquela amiga que tá indo. Ah, e em breve por aqui indicações de onde comer no Brooklyn!

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É lugar-comum vir pra Manhattan e querer dar um rolé pelas galerias do Chelsea, afinal por lá estão gigantes como a Gagosian. Mas também dá pra achar opções mais acessíveis e fresh pelo Lower East Side, região com cara de Berlim, restaurantes com preço amigo e lojas maneiras. Você vai indo de uma galeria a outra sem ver o tempo passar, observando e absorvendo diferentes tipos de arte – amando ou não, achando que vale ou não. Bom pra treinar o olhar e reconhecer seu gosto. Selecionei alguns artistas que chamaram minha atenção na minha última volta descobrindo as galerias daqui. Algumas expôs não estão mais em cartaz, outras sim.

Nari Ward – Breathing Directions – até 9 de novembro @ Lehmann Maupin Gallery

A exposição exibe lindos painéis de cobre marcados pelos gestos e pisadas do artista. Tem também uma obra interativa no chão (foto abaixo), onde o espectador é convidado a caminhar sobre e onde a cada manhã um objeto diferente é ali deixado. Seus trabalhos falam de história, interação com o espaço, memória.

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Nari Ward nasceu em St. Andrew, Jamaica.

Clement SiatousSagren (não está mais em cartaz) Simon Preston Gallery  – @ 301 Broome St

À primeira vista as pinturas de Clement lembram aquelas que a gente vê vendendo na pracinha de Búzios ou Cabo Frio, artesanato simples, alegre, mas sem querer desmerecer… o que elas estariam fazendo em uma galeria em NY? A intenção por trás dessas pinturas é mostrar a realidade das Ilhas Chagos, pequeno arquipélago no meio do Oceano Índico que teve a população expulsa pelo governo Britânico com o objetivo de criar ali uma base naval pros EUA em 1973. Além de dominarem o território, os governos britânico e estadounidense ainda criaram um papo de que essa região nunca havia sido habitada, e a história colou fácil porque quase não existem registros fotográficos da vida por lá. Uma forma de denunciar a situação de tantas famílias e eternizar a realidade de um lugar que não tem direito a existir plenamente.

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Helen O’ LearyDelicate Negotiations (não mais em cartaz) – Front Gallery @ 54 Orchard St

As pinturas dela são feitas em superfícies de madeira. Forma, textura e cor pra atiçar nossa sensibilidade e pensar como a pintura pode ir muito além da tela.

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Alexandre da CunhaAmazons – CRG Gallery @ 195 Chrystie St

Usando materiais como toalha de praia e tecido, Alexandre, brasileiro que estudou arte em Londres, traz um baita frescor em suas telas. Um belo trabalho de cor, textura, colagem, ressignificação. Essa é a primeira exposição de Cunha totalmente focada em pinturas (‘wall works’). Jens Hoffman, diretor do Jewish Museum, criou a expressão ‘tropical ready-mades’ pra falar sobre os trabalhos de Alexandre. Calhou perfeitamente. Eu, que não conhecia o artista, achei que essa foi uma das melhores descobertas.

Por isso que eu digo, a melhor coisa de se fazer em NY é andar pelas ruas e descobrir as diversas galerias, lojas e restaurantes que você não acha pelos guias. Enjoy it! 🙂

afropunk, o caldeirão multicultural

Em agosto rolou a 11ª edição do Afropunk Fest em New York, mais precisamente no Commodore Barry Park, em Fort Greene, bairro do Brooklyn. Esse é considerado o festival mais multicultural dos EUA pelo jornal NY Times.

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fotos: @the_line_up

O Afropunk atrai todos os anos uma mistura de estudantes, blogueiros, skatistas, artistas, mães, crianças, pais e até avôs festejando a liberdade e a multiplicidade da música black e suas derivações. É claro que um assunto assim tão caleidoscópico também influencia na escolha das roupas, acessórios, cabelos e maquiagens dos frequentadores. Sempre um show à parte!

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E falando em shows… O público pode ir ao delírio com dois dias de apresentações de reis e rainhas como Lenny Kravitz, Lauryn Hill e Grace Jones, além de novidades que têm dado o que falar como o duo de neo-soul/hip-hop Oshun.

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fotos: reprodução

Tá a fim de ver de perto a próxima edição? Então fica ligado que este ano ainda rola Afropunk em Atlanta, nos dias 3 e 4 de Outubro. Ah, e aproveita pra ler o depoimento da lindíssima Magá Moura, que também conferiu de perto o Festival e contou mais no seu blog.

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fotos: NY Times

O convite dos organizadores é dos bons: sinta a musica, expresse sua personalidade e se junte ao movimento!

O Whitney de casa nova

O MeatPacking District, um dos bairros mais efervescentes da ilha de Manhattan, em Nova Iorque, está mais bombado do que nunca. Isso porque acabou de se mudar para lá o mais novo Whitney Museum of American Art, que desceu alguns quarteirões do Upper East Side para chegar à uma região superartsy da Big Apple, pegando o frescor do Hudson River e logo ao lado do High Line Park. Por ali ficam galerias como a Gagosian, ateliês de artistas e estilistas e muitas lojas hypadas. Ou seja o novo Whitney está rejuvenescido e mais em casa do que nunca.

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Não bastasse o novo endereço, o Museu chama atenção pela arquitetura, totalmente diferente da de sua sede anterior. Projetado pelo italiano Renzo Piano, que também foi responsável pelo interessantíssimo Centre Georges Pompidou, em Paris, o Whitney agora dobrou de tamanho e tem uma estrutura mais aberta e transparente, totalmente convidativa e integrada à vizinhança. Bem diferente da dira e séria fachada de granito anterior, criada por Marcel Breuer.

bola focando na arquitetura do museu

“O design para o novo museu surgiu de um estudo minucioso das necessidades do Whitney e também do estímulo dessa localização notável. Aqui, de uma só vez, você tem a água, o parque, as poderosas estruturas industriais e o excitante mix de pessoas, reunido por esse novo prédio e pela experiência da arte”, explica Renzo no site oficial do museu.

Mas além de impressionar pelo tamanho e pela nova embalagem, o Whitney conquista pelo rico conteúdo, afinal ele é o líder mundial quando o assunto é a arte americana do século XX e contemporânea. Para a inauguração, a pedida foi escolher o melhor da extensa coleção do museu que reúne mais de 22 mil trabalhos de vários meios, criados por aproximadamente 3 mil artistas.

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America is hard to see é a primeira exposição e ocupa, até setembro, todo o seu espaço com mais de 600 trabalhos. Vale pontuar que o nome da exposição, inspirado em um poema de Robert Frost e um documentário político de Emile de Antonio, retrata com êxito o cenário cultural efervescente e em constante mudança do país que, claro, é refletido nas manifestações de seus artistas, e também nos lembra que é dificil definir claramente toda essa ebulição.

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A visita por lá é superagradavel. As salas, sem colunas, são perfeitas para exibir grandes obras de arte de gênios como Willem de Kooning, Edward Hoopper, Jean-Michel Basquiat, Barnett Newman, Joan Mitchell, Mark Rothko, Louise Bourgeois, Jackson Pollock, Yayoi Kusama, John Baldessari, Frank Stella, Keith Haring, Nam June Paik e por aí vai. Entre um andar e outro, ainda dá para respirar um pouco na área externa do museu, observando Manhattan, a vista pra New Jersey, e as esculturas que ficam do lado de fora.

8.2 basquiat

Fotos: @marivferrari

Reunir movimentos e trabalhos tão ricos e diversos é tarefa das mais complexas e estimulantes, e a curadoria cuidadosa do Museu reuniu de peças formalmente transgressoras, como as pinturas das décadas de 60-70 que, para se reinventar ganharam novos processos quase esculturais – se você também é fã, fique de olho nos trabalhos do sexto andar. E já que a arte também é uma forma de entender a história, não faltam criações com temas sociais como a luta contra a AIDS (ao chegar ao quinto andar somos saudados pela parede cheia de litografias do presidente Ronald Regan e o escrito He Kills Me, na obra de Donald Moffett). As questões raciais, reflexões pós-guerras mundiais e do Vietnã e Afeganistão e questões de gênero também estão por lá, enriquecendo a experiência e tornando tudo mais atual.

Interessante observar que a exposição é montada cronologicamente mas, em vez de ter seus temas nomeados por estilos ou correntes artísticas, ela vem representada por capítulos – 23 no total – com nomes tirados das obras de artes mais significativas para evocar o espírito de cada seção.  Afinal, nada melhor do que arte para tentar definir arte com liberdade.

9 - simbolo de check in - Gansevoort Market

Aproveite para conhecer: Gansevoort Market

Fome de arte saciada, é hora de agradar estômago. Com diversas opções de restaurantes das mais variadas culinárias do mundo, o mercado Gansevoort, na mesma rua do Whitney, é bom para quem quer continuar o passeio pelo bairro, digerindo toda a arte vista.  As opções vão das clássicas pizzas e massa italiana, passando por tacos, sushis e  pratos típicos espanhóis e tailandeses. Com direito a sorvete e cookies, claro. Por lá ainda dá para garimpar flores e novidades como chás orgânicos e bebidas feitas por uma nova castanha africana. É um bom lugar para ver, ser visto, e saciar a fome com estilo.