Pra voltar um dia

Às vezes eu fico pensando por que é tão bom viajar, e por que eu gosto tanto disso. Sabe, tem gente que, praticamente, nunca saiu da sua cidade e é feliz assim, nem deseja ir muito longe, ver o mundo na TV já tá bom. Depois de algumas várias sessões de terapia entendo com mais facilidade que a felicidade é um conceito muito diferente pra cada pessoa. Eu acharia esse cidadão que não sai do seu sofá um ser extremamente infeliz, sem ambição, etc, mas ele, coitado, pode muito bem não estar nem aí pra tudo isso que eu tanto valorizo.

Anyway, a ideia do post de hoje surgiu quando eu tava pensando nos lugares onde já estive e sonho – sonho não, pretendo – voltar assim que possível, ou quem sabe voltar sempre, ou aquela cidade que já é tão ‘minha’ que não consigo me imaginar nunca mais indo. Você já pensou nisso

Por exemplo: eu morei em Breckenridge, nos EUA, durante uns dois meses em 2007. Foi o suficiente, no inverno tem muita neve por lá, a cidade é pequena, enfim, não tenho muita vontade de retornar, a não ser por uma ou outra pessoa que conheci. Mesmo assim, acredito que nunca mais vou voltar lá – a não ser que eu queira esquiar…não, acho que nunca mais mesmo.

Mas Lyon, ao contrário… gostei tanto que não consigo me imaginar nunca mais pisando ali de novo. Paris também, bien sûr. Berlim, que me surpreendeu de uma forma surpreendente (oi?!é, eu não sabia que ia amar arte urbana tanto assim), é uma cidade em que eu preciso ir de novo. Além de Londres (múltipla!) e Lisboa (nossa origem?). Nova York e São Francisco me fariam pegar um vôo de 12 horas mole, mole.

Doido isso, né? Conheço quem não pretende voltar pra esses lugares tão cedo, já viajou o que tinha que viajar por lá e pronto. Eu não, sinto que a cada vez que eu for vou ser uma pessoa diferente, que vai aproveitar a cidade de outra forma.

No Brasil também tenho as minhas queridinhas. Búzios, por ser o lugar do litoral onde eu vou desde criança, onde já conheci alguém muito importante na minha vida, e onde, enfim, todo mundo acaba indo uma vez ou outra. Você consegueria nunca mais voltar em Búzios? Pode bem ser que sim, mas eu, com certeza, não. Itacaré também é o lugar quando eu penso em praia, açaí, sol, bronzeado, surfe, relax.. queria muito voltar, mas ouvi dizer que a criminalidade por lá tá fueda, isso me desanimou.

Esses pontinhos no mapa-múndi me lembram experiências boas, sensações únicas, me interessam pelo estilo de vida, pela beleza, pela arquitetura, pela língua, sei lá. Fazem um pouco parte da minha história, ainda bem. E contando que ainda existe uma penca de países e cidades que eu quero conhecer, haja dinheiro e férias pra alcançar a realização, né? Ou um trabalho que se encaixe com esse estilo de vida, quem sabe? (sonho).

Boa Viagem

Está chegando o dia… Aleluia! Faz tempo que comprei a passagem que vai me trazer de volta a alegria…
Viajar pra mim não é apenas estar uns dias longe daqui, em outro lugar mas fazendo as mesmas coisas de sempre. Pelo contrário. Prefiro viajar e esquecer o que eu fazia, ou o que me espera de volta, porque afinal, quando eu voltar, já não serei mais a mesma, não poderei ser a mesma. Essa é a única certeza que tenho.
Estar viajando é estar aberta a descobrir o inesperado, a dar de cara com o diferente e aceitá-lo, é conviver com uma outra cultura. E eu adoro fazer isso. Nesse sentido, não sou intolerante. Graças.
É Ficar longe de todas as preocupações, aquelas que me rondam por aqui, e não as minhas, porque lá não mais as terei. É dormir quando sentir sono, acordar quando o corpo quiser, quando o sol lá de fora chamar mais alto. A cada minuto captar uma imagem diferente, uma visão que meus olhos não estão acostumados a ver. Ganhar um sorriso, retribuir uma risada, fazer um amigo. Comer uma comida típica, comprar um artesanato, sonhar que o tempo vai parar NAQUELE instante. Pensar “eu poderia viver aqui pra sempre”.
Tudo isso me ajuda a fazer planos, energiza, me dá combustível pra agüentar mais um pouco. Isso pra mim é uma viagem.
Chega o dia da volta. É um momento triste, de certo. Mas também sei que é preciso, é necessário, voltar para minha origem, o meu (talvez triste, mas meu) lugar. Onde vou viver tudo aquilo que aprendi na minha viagem. Isso é gratificante. Viajar não é apenas gastar dinheiro nas férias. É investir na minha vida.