afropunk, o caldeirão multicultural

Em agosto rolou a 11ª edição do Afropunk Fest em New York, mais precisamente no Commodore Barry Park, em Fort Greene, bairro do Brooklyn. Esse é considerado o festival mais multicultural dos EUA pelo jornal NY Times.

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fotos: @the_line_up

O Afropunk atrai todos os anos uma mistura de estudantes, blogueiros, skatistas, artistas, mães, crianças, pais e até avôs festejando a liberdade e a multiplicidade da música black e suas derivações. É claro que um assunto assim tão caleidoscópico também influencia na escolha das roupas, acessórios, cabelos e maquiagens dos frequentadores. Sempre um show à parte!

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E falando em shows… O público pode ir ao delírio com dois dias de apresentações de reis e rainhas como Lenny Kravitz, Lauryn Hill e Grace Jones, além de novidades que têm dado o que falar como o duo de neo-soul/hip-hop Oshun.

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fotos: reprodução

Tá a fim de ver de perto a próxima edição? Então fica ligado que este ano ainda rola Afropunk em Atlanta, nos dias 3 e 4 de Outubro. Ah, e aproveita pra ler o depoimento da lindíssima Magá Moura, que também conferiu de perto o Festival e contou mais no seu blog.

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fotos: NY Times

O convite dos organizadores é dos bons: sinta a musica, expresse sua personalidade e se junte ao movimento!

Entrevista: Juliana Rocha

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Foto: Derek Mangabeira/I Hate Flash

A Ju é uma amiga-irmã e fotógrafa que eu admiro muito, doce e forte, uma gigante pra mim. Somos muito parecidas, mas também muito diferentes, as duas piscianas sonhadoras e sensíveis (♓), uma mais explosiva (eu), outra mais aérea (ela). Cearense que adotou o Rio como casa (ainda bem porque assim a gente se encontrou na faculdade!), ela arrasa nas fotos de street style e reportagens pro RIOetc e aos poucos tá descobrindo outros caminhos na fotografia como arte pra tocar seus projetos pessoais – voa, Ju ♡.

Você trabalha com street style há 5 anos ja. Viu alguma evolução/transformação no estilo do carioca e da galera que circula pela cidade?

Sim, o tradicional estilo despojado dos cariocas mudou muito de uns anos pra cá. Acho que além do conforto necessário pra enfrentar a cidade e o – calor -, vem sendo legitimada há algum tempo uma ousadia divertida no jeito de se vestir. Essa ousadia às vezes soa despretensiosa, mas na verdade é carregada de ideologias e vontades de mudar o mundo, quebrar de vez com regras e padrões – desconstruir. Algumas coisas parecem filhas do carnaval, mas vai ver é isso mesmo.

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Fotos: Juliana Rocha e Tiago Petrik

Como é apontar a câmera pra um estranho e fazer disso sua forma de captar uma essência, um estilo, uma representação? Conta um pouco do que vc sente ao fotografar na rua.

É o que eu mais amo no meu trabalho. quando eu olho pra uma cena e sei que ali eu estou captando algo único, que eu vou lembrar de uma cor, um movimento, um olhar, pra sempre. Porque a verdade é que é maravilhoso só quando ali tem uma mensagem verdadeira sobre si mesmo. conseguir perceber isso e captar na hora certa é muito gratificante. O fato de ser uma pessoa estranha deixa tudo mais mágico, porque é uma descoberta. é um momento rápido e íntimo, quando eu tô desvendando com todas as ‘armas’ que me cabem quem é aquela pessoa, o que ela quer dizer, onde ela é ais verdade, onde ela é mais mentira… não sei explicar, rs. Claro que essa sensação não acontece sempre, mas acho que é o que me comove em fazer retratos e encarar a moda mais como comportamento mesmo.

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Foto: Juliana Rocha

Quais as suas dicas pra quem quer começar a fotografar profissionalmente?

É importante estudar bastante a técnica, e se manter estudando. Mas eu diria que o principal é treinar o olhar mesmo, e isso só se faz clicando. Você tem que fazer, se criticar, aprender a mostrar pra outras pessoas e ouvir o que elas têm pra dizer, mostrar pro mundo quando você se orgulha de algo… não ter medo, clicar discretamente mas sem vergonha. Sempre que der! E nunca deixar uma foto passar… quando você vir algo que der aquela coceirinha no cérebro, pega a câmera. Eu acredito que as melhores fotos gritam o nosso nome.

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Foto: Juliana Rocha

Você também escreve superbem, conta um pouco da sua relação com as palavras:

Acho que eu quero ser escritora desde antes de aprender a ler. Uma das pessoas mais importantes da minha vida sempre esteve rodeada de livros e lia pra mim durante tardes inteiras. Desde pequena eu tenho um apego enorme aos livros (acumuladora!) e coleciono cadernos e cadernos meio escritos. Tenho poesias, desenhos, fragmentos de textos que eu nunca terminei. Eu vou escrever. Ainda não sei bem o que, nem como, mas eu não tenho dúvidas que esse desejo uma hora vai gritar meu nome.

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Foto: Derek Mangabeira/I Hate Flash

Seu instagram (@rochajuliana) bombou com o projeto de Copacabana e culminou em um livro de fotos lançado. Agora você está postando outro estilo de fotos. Já tem alguma nova abordagem pro seu perfil la ou ainda esta à procura de um novo projeto?

Estou tentando descobrir novos interesses. Comecei a fotografar bastante de câmera analógica. Quero desenvolver projetos em filme, mas ainda não sei bem o que. Eu tive um interesse de fotografar corpo, nudez. É mais por esse lado que eu estou indo… vamos ver!

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Fotos: Juliana Rocha

Quais seus fotógrafos e artistas favoritos?

Amo Edward Weston. Ruth Bernard – estou em uma fase esculturas. Brancusi, Giacometti, Renoir… tô fascinada por estudo de corpo e textura…

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Foto: Ruth Bernard

O que você acha imprescindível ter no armário pra montar looks cheios de personalidade?

Aí vai uma lista:

*Macacões. uns grandões, mais pesados, ou frouxos, são meus preferidos.
*Jeans daquele tipo que duram uma vida inteira, valem pra qualquer peça.
*Coisas da sua mãe/vó. Essas heranças que envolvem estilo, sentimento, memórias, coisinhas que ninguem vai achar igual por ai… AMO!
*Colares e pulseiras grandões. Aqueles que vc fica na dúvida, que acha que nunca vai usar, sabe? Sim, e você vai ficar maravilhosa.
*Amo coisas de linho, cortes retos…
*Acho que um óculos ‘forte’ levanta qualquer look.
*Peças brancas.
*Peças pretas.
*Chapéus. (Mas tá na hora de ir além do climinha boho, né?)

Imagem1Foto: Tiago Petrik

Você é de Fortaleza, então conta pra gente aquilo que você indica pra uma amiga fazer por lá:

Ir à praia do Futuro comer caranguejo. Acho imperdível! Conhecer o museu Dragão do Mar (gigantesco!) e as coisas por ali. É uma região portuária que está sendo revitalizada há seculos (não sei como ta agora).  Tem uma coleção legal sobre o ceará. A gastronomia também é um forte por lá, tem sorveterias mega diferentes, restaurantes orientais modernos… quase sempre tudo bem chique, rs. Tem um bar/boate lá que bomba desde que eu era adolescente, o Órbita. É moderninho e alternativo… até hoje meus amigos vão.

Aproveita e dá algumas dicas de Jericoacoara:

Tem que ir pra ficar pelo menos uma semana, entrar no clima da vila da praia, sem asfalto, experimentar restaurantes (tem mil maravilhosos! desde uns baratinhos até uns bem carinhos). Tentar fazer algum esporte por lá, tipo aula de stand up paddle, surf, kite, wind…. esporte a vela, bomba, é legal entrar no clima. E claro, ver o pôr do sol na duna. É realmente maravilhoso!

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O que mais ela vai aprontar? Tô louca pra ver (e fazer parte)!

Lições de estilo direto de Estocolmo!

Apesar de não ser muito divulgada por aqui, a semana de moda de Estocolmo, na Suécia, é uma das mais interessantes quando o assunto é street style. Se nas passarelas vemos marcas com estilo minimalista e supercool, na rua observamos os truques femininos para se destacar.

Acostumadas com o frio, as fashionistas suecas mostram que sabem brincar com o volume dos casacos e as proporções. Os óculos redondos e bem grandes são a aposta de muitas, que também sobem no salto sem nenhuma cerimônia.

As mais antenadas sabem que para se destacar na multidão de mulheres loiras, lindas e magérrimas, a pedida é misturar estampas ou quebrar a seriedade do preto com alguma cor mais forte. Ah, e um chapéu de abas largas também pode ser seu melhor amigo nessas horas.

Quando o assunto é jeans reina o modelo boyfriend, mais larguinho, com a barra da calça dobrada e usado com salto. E como as mais vaidosas gostam de mostrar as pernas em qualquer lugar, nada melhor do que apostar na dupla minissaia sexy com parka (capa com pegada militar) por cima.