respiro da semana

Ele chegou! Aquele momento em que você tem tempo de ler o que quiser, assistir ao que quiser. Minhas dicas pra dar aquela alimentada no repertório:

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– Tá a fim de investir em quadros, pôsters e fotografias pra pendurar na parede de casa? Esse blog tem boas sugestões de como fazer algo com bom gosto.

– Faça você mesma a sua roupa, com a curadoria preciosa de um estilista. Essa biblioteca de modelagem em SP permite isso. Vem saber!

– Vive com dor de cabeça, gastrite, algum problema que se cura com anti-inflamatórios e etc? Hora de ouvir seu sintoma.

E, lembrando, minhas melhor dica é assistir ao doc The True Cost, que eu comentei no post anterior. Tô esperando saber o que vocês acharam… 🙂

o verdadeiro custo

Então, vamos lá: sabe mea culpa? Ignorar aquela verdade que sempre esteve ali pulsando numa reportagem e você preferiu não ler, num vídeo que não quis assistir, mas um belo dia você recebe o link de um documentário e, com a consciência mais despertada, resolve assistir e se deixar tocar pela história? Sim, isso foi o que aconteceu comigo esta semana.

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O documentário True Cost chegou no Netlifx e eu fiquei sabendo logo depois de ter dado uma passada na Zara e comprado algumas peças. Outch! Me senti ainda mais culpada e resolvi assistir logo. Já vou avisando que o filme é pra qualquer pessoa, ame e trabalhe com moda ou não. Por que todos estamos vestindo roupas, todos estamos comprando e muitas vezes sem ter consciência de que consequentemente todos estamos apoiando empresas que contratam mão de obra praticamente escrava em países onde não existem sindicatos, onde as condições de trabalho são insalubres e onde as pessoas estão reféns desses empregos porque simplesmente não têm outra oportunidade.

Assistindo ao documentário fica cada vez mais claro como comprando fast fashion estamos apoiando uma situação de domínio de empresas ricas que querem enriquecer ainda mais tendo poucos custos, por isso fazendo uso desses trabalhadores, e dando a justificativa de que estão ajudando a economia do país sub-desenvolvido. Sério? Ajudando com migalha, com miséria, com injustiça? Ok, você pode estar com o orçamento limitado e não ter grana pra comprar dois vestidos, uma bolsa e uma sandália numa marca slow fashion, mas se sentir melhor porque pode fazer isso numa Zara ou H&M da vida. Só que aí é hora de rever seu conceito de consumo, sua renda, seus objetivos de vida…

Por que as empresas sustentam essa injustiça visando criar produtos baratos e descartáveis, pra nós ocidentais comprarmos muito e acharmos que temos dinheiro pra ficar na muóda. E quais são essas marcas? Você já deve imaginar, o documentário mostra Zara, H&M, Gap, Primark, Uniqlo, mas existem muitas outras, a dica é sempre olhar a etiqueta pra ver onde o produto foi feito (países como China, Bangladesh, Vietnam e Cambodia são onde estão a maioria das sweat factories) e, claro desconfiar de algo muito barato.

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Acredito que, assim como hoje a consciência sobre a importância de se consumir alimentos orgânicos, de saber de onde vêm, quem produziu e se é realmente saudável, pagando um pouco mais por esses enormes benefícios, a consciência sobre o que você está vestindo também vai se espalhar cada vez mais por aqui. É hora de acordar, de ser menos egoísta, de valorizar o slow fashion, o feito à mão com boas condições de trabalho, o renovável, o reutilizável, o reciclado. É hora de gastar um pouco mais pra comprar menos peças, mas peças mais importantes, mais únicas e mais utilizáveis a longo prazo. É hora de investigar até de onde vem o algodão que está fazendo a roupa que você veste; ele é orgânico? Porque além de fazer mal pro meio-ambiente, algodão transgênico e produzido com pesticidas pode fazer mal pra nossa saúde. Afinal, as roupas são a nossa segunda pele.

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Não dá pra ignorar que milhares de pessoas sofrem todos os dias pra manter esse padrão de consumo enlouquecido de quem sustenta as marcas de fast fashion. Chega! E nem é legal ficar usando a mesma estampa, modelagem, peça que todas as it-girls/blogueiras/fashionistas estão usando. Moda é identidade pessoal, é seu estilo, e isso só se constrói com tempo, com estudo de si, com investimentos a longo prazo, valorizando cada peça que está no seu guarda-roupa.

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Vamos compartilhar mais matérias sobre isso, vamos boicotar essas empresas, vamos valorizar quem está inovando e fazendo comércio justo, vamos seguir os ativistas que ajudam a pressionar as marcas e mostrar pra sociedade a realidade por trás daquela blusa baratinha. Tenho algumas dicas: Livia Firth, que aparece no doc, e o Modefica, no Brasil, site que descobri há pouco tempo e estou apaixonada. Por aqui também quero me posicionar mais sobre isso e espalhar notícias mais animadoras sobre o assunto.

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De qualquer forma, reserve um tempo hoje, ou amanhã, pra assistir ao filme. Mostre pra mãe, pro namorado, pro amigo. Espalhe e ajude a tornar o mundo um lugar mais justo e, quem sabe, limpo!